Taxa de abandono escolar cresce em Campinas e chega a 3,5% no ensino médio, aponta Inep
Sala de aula em Campinas Arthur Menicucci/G1 Campinas (SP) registrou aumento na taxa de abandono nas escolas, de acordo com dados da segunda etapa do Censo Esco...
Sala de aula em Campinas Arthur Menicucci/G1 Campinas (SP) registrou aumento na taxa de abandono nas escolas, de acordo com dados da segunda etapa do Censo Escolar 2025, divulgado nesta sexta-feira (26) pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). No ensino médio, a taxa, que em 2024 ficou em 2,1%, chegou a 3,5% no ano passado. O pior cenário foi registrado na 2ª série, que atingiu 4,0% de abandono – no ano anterior, a taxa era de 2,5% –, seguida pela 1ª série, que foi de 2,4% para 3,6%. 📲 Participe do canal do g1 Campinas no WhatsApp Também houve crescimento na taxa de abandono do ensino fundamental, segundo o levantamento. Foi de 0,5% para 0,7% em 2025, conforme os dados do Inep. O 9º ano teve o percentual mais alto, com 1,6% (confira mais detalhes na tabela abaixo). 🏫 Abandono escolar é quando um aluno está matriculado, mas deixa de frequentar as aulas ao longo do ano letivo. É o primeiro degrau em direção à evasão, fenômeno em que a criança ou o jovem nem chega a se matricular no ano seguinte, se desvinculado do sistema educacional. Em nota, a Secretaria de Educação afirma que combate a evasão com monitoramento diário de frequência e busca ativa após faltas, além de programas que aumentam o engajamento. A pasta afirma que as ações elevaram a presença escolar a 91% em 2025 - veja o posicionamento na íntegra abaixo. A Prefeitura afirma que prioriza a qualidade do ensino e monitora indicadores. A pasta aponta evasão estável na rede municipal (0,5%) e reforça ações como busca ativa de faltosos e medidas pedagógicas preventivas - veja o posicionamento na íntegra abaixo. Taxa de abandono no ensino médio em Campinas (%) Taxa de abandono no ensino fundamental em Campinas (%) O balanço do Inep divulga apenas os percentuais e não há números absolutos. Os números acima consideram as redes municipal, estadual e privada de ensino. Não foi observada evasão na rede privada. LEIA TAMBÉM: Abandono escolar no 1º ano do ensino médio cai 40% de 2024 a 2025, diz Censo Políticas contra o abandono escolar No cenário nacional, a taxa de abandono do ensino médio teve redução no 1º ano. Em 2015, 8,7% dos alunos do 1º ano não voltaram às salas de aula. Dez anos depois, esse percentual caiu para 2,2%, o menor da série histórica. As principais mudanças que ocorreram neste intervalo de 2024 a 2025 foram: 1 - Criação pelo Ministério da Educação (MEC) do programa Pé-de-Meia: alunos de baixa renda da rede pública passaram a receber um incentivo financeiro para continuarem frequentando a escola e não serem reprovados no fim do ano letivo. Quando um estudante beneficiado confirma a matrícula em janeiro/fevereiro, ganha R$ 200. Caso mantenha um índice mínimo de 80% de presença nas aulas, embolsa mais R$ 1,8 mil por ano. E, a cada série em que é aprovado na escola, recebe um depósito de R$ 1 mil na poupança (o saque só pode ocorrer no fim do ensino médio). 2 - Implementação do novo ensino médio: após críticas ao modelo de currículo criado na reforma educacional de 2017, o chamado “novo ensino médio” recebeu atualizações e foi reestruturado em julho de 2024, de maneira gradual, começando com as turmas do 1º ano. O objetivo era atender aos interesses dos jovens (grade curricular mais “personalizável”, ensino técnico integrado etc.) justamente para evitar que eles largassem os estudos. 3 - Avanço da educação integral: os dados do Censo Escolar 2025 mostram um crescimento na modalidade em que os alunos permanecem por pelo menos 35 horas semanais no colégio. Especialistas veem a jornada estendida como uma forma de reduzir o abandono e a evasão, estreitando os laços do aluno com a comunidade escolar e viabilizando maior tempo para reforço. Permanência escolar é essencial, mas não garante aprendizagem Manter os jovens na escola traz benefícios importantes: reduz a exposição a situações de violência e criminalidade; amplia as perspectivas de melhor colocação profissional no futuro; proporciona o desenvolvimento da cidadania e ajuda a construir relações sociais; e aumenta as chances de acesso ao ensino superior. No entanto, a permanência, por si só, não é suficiente. Além de garantir que os estudantes continuem frequentando as aulas, é fundamental assegurar que eles estejam aprendendo e desenvolvendo habilidades esperadas para a faixa etária. “O motivo que mais explica jovens fora da escola é a falta de interesse nos estudos. Então, a prioridade máxima para reduzir abandono e evasão deve estar em tornar a escola melhor, com mais aprendizagens significativas, mais atrativa para as juventudes de hoje”, afirma Gabriel Corrêa, diretor de Políticas Públicas do Todos Pela Educação. Os índices de desempenho são insatisfatórios. Um exemplo: apenas 7,7% dos concluintes do ensino médio atingiram níveis adequados de conhecimento simultaneamente em português e matemática, segundo o Anuário Brasileiro da Educação Básica, divulgado em 2025 pela ONG Todos Pela Educação. Agora no g1 O que diz o Estado? "A Secretaria da Educação atua em duas frentes complementares no combate à evasão escolar: o acompanhamento contínuo da frequência dos estudantes e a ampliação de programas que fortalecem o vínculo dos jovens com a escola. Por meio do painel Aluno Presente, as escolas monitoram diariamente a frequência escolar e iniciam ações de busca ativa a partir de três faltas consecutivas sem justificativa, incluindo contato com responsáveis, reuniões de acompanhamento e, quando necessário, acionamento da rede de proteção. Além do monitoramento, a Seduc-SP tem investido em iniciativas que ampliam as perspectivas acadêmicas e profissionais dos estudantes, com uma escola mais atrativa e conectada aos projetos de vida dos jovens. Programas como o Ensino Médio Técnico, o Provão Paulista Seriado, o Prontos pro Mundo e o Bolsa Estágio Ensino Médio (BEEM) contribuem para aumentar o engajamento dos estudantes e fortalecer sua permanência na escola. Como resultado desse conjunto de ações, a frequência escolar na rede estadual como um todo alcançou 91% em 2025, um crescimento de 10 pontos percentuais em relação ao início da atual gestão, equivalente a cerca de 300 mil estudantes a mais frequentando as aulas diariamente." O que diz a prefeitura "A Secretaria de Educação de Campinas informa que a qualificação do ensino municipal é um dos compromissos da gestão e, por isso, está atenta aos principais indicadores de ensino no País, como o Censo Escolar, para implementar melhorias e buscar avanços. O Município mantém um regime de colaboração com o Estado no ensino fundamental, sendo que este reúne 80% das vagas para esta etapa da educação básica na rede pública. Já o ensino médio é oferecido exclusivamente pelo Estado. O levantamento divulgado pelo Inep nesta sexta-feira, 26 de junho, mostra uma taxa de evasão escolar no ensino fundamental que é avaliada tecnicamente como estável por conta da baixa variação no intervalo de apenas um ano. Vale destacar que o percentual da rede municipal corresponde a 0,5%, enquanto o de 0,7% inclui dados das redes estadual e particular. A evasão escolar exige uma análise aprofundada de cada caso e local, incluindo aspectos socioeconômicos e históricos familiares dos alunos, além de aspectos regionais. Desde 2025 a secretaria já fez aperfeiçoamentos no uso do diário de classe digital e um sistema que, a cada cinco faltas consecutivas, estabelece um alerta para que a escola realize uma busca ativa que inclui, por exemplo, contato com os pais ou responsáveis. Já a proposta pedagógica do ano letivo de 2026 está intensificando práticas antirracistas e o combate à violência contra as mulheres por meio de diversas iniciativas, como debates nas escolas, participação no projeto Vozes pela Igualdade de Gênero e a criação de comissões antirracismo em todas as unidades. Os dois temas provocam reflexos sociais e podem, em determinados casos, serem a causa da evasão." VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e Região Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Campinas.